1 de Dezembro – Restauração da Independência

1 de Dezembro – Restauração da Independência

Esta data com pouco significado para muitas e muitos da nação portuguesa, celebra a Independência de um reino, que estava sob domínio “dos Filipes” (como se costuma dizer). Por questões de descendência, que esperamos que ainda se lembrem!

Porém, partilhamos este artigo convosco pela lembrança do casal monarca que toma o trono, D. João IV e Dona Luísa de Gusmão. Este nascido em Vila Viçosa, começa o seu reinado em 1640. Porém, antes já se tinha preparado a restauração. Para Veríssimo Serrão, historiador conhecido de Portuhal, «pode aceitar-se que o projeto de uma revolta tenha depois ocorrido no Paço de Vila Viçosa, no convívio do duque com dois precursores da ideia: o secretário João Pinto Ribeiro e Pedro de Mendonça Furtado, alcaide de Mourão.» A versão de que não queria tomar a chefia do movimento por receio ou hesitação nasceu porque seu desejo, «por não sentir a madureza do fruto», estava em aquietar o povo, por entender que motins trariam a inevitável reação da coroa espanhola. Ela, uma espanhola, mas descendente por via paterna dos reis de Portugal, mostrou-se o par perfeito para esta investida. Quase podemos dizer ou imaginar, sem desprezo da história, a força de uma mulher ao lado do seu marido: “Mais vale rainha por um dia, que duquesa a vida inteira”.

Porém, a restauração de Portugal, para ambos passava por uma bandeira única nacional e de fé, por isso entregam Portugal à Virgem, Senhora da Conceição (cujo santuário se encontra na vila natal do Rei).

Nas cortes de março de 1646, D. João IV proclamou Nossa Senhora da Conceição Rainha de Portugal e a verdadeira Soberana do país. Assim, desde este dia, mais nenhum rei ou rainha puderam, podem ou poderão usar coroa nas suas cabeças. Esse privilégio é da Nossa Senhora da Conceição.

Ou seja, Portugal tinha um Rei, uma causa comum, e uma “bandeira” comum espiritual. Assim se unifica o reino. Uma “tese” que temos vindo a perceber com o trabalho desde 2003 como guias das Igrejas da Baixa, Chiado e Bairro Alto.

A par desta bandeira única de fé, a Rainha Dona Luísa de Gusmão funda muitos conventos das ordens religiosas reformadas, como as e os Carmelitas descalços (Convento do Corpus Christi – futuro hotel) ou os Agostinhos descalços (Convento da Boa Hora – Antigo Tribunal). E podemos citar outro exemplo, como o Convento de São Pedro de Alcântara (miradouro que toma o seu nome), que embora não fundado pela Rainha, vai buscar uma ordem reformada da Ordem dos Franciscanos.

A par da restauração civil, dizemos nós agora, existiu uma tentativa de reforma religiosa para unificar e consolidar a sociedade. Que, então, era confessional.

Mas, tirando tudo isto, é motivo de orgulho entrar em São Pedro do Vaticano ou em São Paulo de Londres, em tempo de Advento e Natal, e ver nos livros das celebrações: “Adeste Fidelis” Dal re Giovanni IV del Portogallo ou from King John IV of Portugal.

Sim, o nosso rei era compositor, onde se podem contar várias peças entre elas, a mais conhecida do Natal. Ou esta que deixamos em formato vídeo.