Um mundo suspenso, uma ModaLisboa MAIS

Um mundo suspenso, uma ModaLisboa MAIS. Estamos num tempo suspenso, mergulhados em opiniões e previsões de algo que ainda não sabemos, de uma forma de ser e estar imprevisível. Da qual só sabemos que será diferente. Para melhor? Para pior? não sabemos. Mas, temos a certeza que podemos construir algo fora das fórmulas habituais, isso é certo. Recordo uma recente entrevista do Financial Times  a  Nicolas Ghesquièr, director criativo da moda de senhora da Louis Vuitton “There is no room for going back to what things were,” he says. “And while we have the tendency to want to go back to what was, I think that would be our worst mistake”.

Por isso, o desafio da edição de Outubro da ModaLisboa, que continua a usar o formato presencial (com menos “público”), é um apelo ao MAIS.  Mais concentração, foco no essencial e nas relações da moda com a sociedade.  Para quem são os desfiles de moda, ou uma semana de moda? é uma pergunta já levantada em surdina há anos e que o artigo da The Business of Fashion há pouco tempo referia: “There will be less and less room for the traditional trade, many of whom are used to expensing thousands of dollars a year — sometimes hundreds of thousands — on flights, hotels and dinners at Caviar Kaspia because they believed the return on investment made all that extravagance worthwhile. That return has been diminishing for years — and publishers and retailers can no longer afford to justify such investments. The front row, whether fashion is ready for it or not, is going to look very different a year from now. The strangeness of this season is only the beginning”.

A necessidade de recorrer à Moda como pulso da sociedade tornou-se urgente. Tal como se tornou urgente deixar de olhar apenas para o produto e voltar a ouvir quem o pensa, o inspira e o produz. A MODALISBOA MAIS, em co-organização com a Câmara Municipal de Lisboa, chega ao público, em multiplataforma e multiformato, de 7 a 11 de outubro de 2020. 

Serão mais dias de um evento com uma imersiva componente digital e uma exclusiva e estratégica componente física. A base de operações estará nos Jardins do Parque Eduardo VII, onde a cidade volta a receber a Moda em comunhão com o ar livre, com o verde e com a vida. A decisão não foi tomada de ânimo leve. Todos estes meses viveram de um processo de reflexão, de observação e debate constante com o mundo, de uma transformação necessária, com a consciência de que, até outubro, tudo pode voltar a mudar, e nós mudaremos com esse tudo. Mas é preciso fazer mover o setor cultural.

É preciso comunicar todas as profissões, todos os talentos que cosem a indústria de Moda. É preciso enfatizar a sua importância material e imaterial para a cidade e para o país. É preciso que continuemos a falar sobre sustentabilidade, sobre inclusão, sobre consumo consciente e local. É preciso que continuemos a trabalhar, a projetar futuro, a fazer sonhar. É preciso fazer mais.

A partir dos Jardins do Parque Eduardo VII — com uma lotação presencial extremamente limitada — numa nova app mobile, uma inovadora app TV e um reforçado Modalisboa.pt, construídos numa grandiosa parceria com a Altice, todos de acesso livre e gratuito.