GENTES DO MAR, Cerâmica e Outras Artes Decorativas

GENTES DO MAR, Cerâmica e Outras Artes Decorativas no Portugal do Séc.XX na galeria Objectismo

De 12 Setembro a 17 Outubro de 2020.

Num país continental com uma extensa frente de mar, a faina piscatória e a venda de peixe impuseram-se como leit motiv de uma representação que vendia não a imagem de um Portugal pobre, mas a de uma nação que mantinha autenticidade e ancestralidade tão telúricas quanto ela própria. 

A representação do pitoresco das comunidades piscatórias teve o maior expressão na pintura, na escultura e na fotografia, mas também nos objectos quotidianos e nas artes ditas decorativas com especial relevo na cerâmica. Pescadores e peixeiras, de norte a sul, contribuíam para promover, tanto para uso interno como internacionalmente, um país típico e autêntico. 

O remendar das redes, o puxar dos barcos para o areal, o transportar e o vender o peixe nas canastras, os quadrados da roupa dos pescadores ou o veste preto das suas mulheres, constituíam atractivos suficientes para que a cenografia da vida ganhasse notas de cor, mesmo quando retratadas no preto e branco dos filmes. Eram, sobretudo, imagens com personagens vivas de um território que ganhava nova atractividade no pós-guerra, como destino de férias em ascensão: o mar, o sol, o areal, enfim, a praia. Numa sociedade de papéis claramente distintos, em traços gerais, ao homem cabia as tarefas ditas mais árduas, como o cuidar das embarcações, o remendar das redes e, sobretudo, as idas ao mar para pescar o peixe que permitia o sustento do lar. Ás mulheres, sempre em terra, cumpria-lhes sobretudo o cuidar do lar e dos filhos, que complementavam com a venda a retalho do pescado. 

Neste contexto, as comunidades nazarenas e as varinas de Lisboa assumiram um protagonismo particularmente relevante. 

Com este quadro subjacente, a galeria Objectismo apresenta a exposição Gentes do Mar, Cerâmica e Outras Artes Decorativas no Portugal do Séc.XX, onde predominam objectos cerâmicos, mas rica em conteúdo imagético e transversal às novidades artísticas em consonância com o seu tempo.

Peças de importantes artistas portugueses como Querubim Lapa, Ferreira da Silva, Hansi Stael ou Jorge Barradas entre outras, de diversas fábricas como a Secla, Caldas da Raínha Viúva de Lamego, Lisboa ou a Aleluia, Aveiro, encenam dois distintos núcleos expositivos: um núcleo, o lado masculino da faina piscatória, e, por isso, mais transversal a todo o litoral português. Um outro, aposta na representação do papel destinado à mulher, centrando-se exclusivamente na figura de nazarenas e varinas. 

Das representações mais naturalistas às mais estilizadas, os temas da faina piscatória e dos seus actores encontra eco neste conjunto de objectos que documenta gostos e sentidos estéticos de um espírito moderno que, sendo de tempos passados, hoje apetece possuir.  

O catálogo Gentes do Mar, Cerâmica e Outras Artes Decorativas no Portugal do séc.XX, editado pela Objectismo, acompanha a exposição, reiterando a missão de divulgar a cerâmica industrial e de autor, em linha com o trabalho desenvolvido pela galeria desde a sua fundação, em 2013.

OBJECTISMO / Galeria 

Horário: Terça a Sábado das 15h00 às 19h00.