O que os consumidores estão a sentir?

O que os consumidores estão a sentir? Como o consumidor comum reage ou vai reagir a esta crise causada pela pandemia? Qual será o estado de espírito e a resposta das marcas a este turbilhão de emoções? Não queremos voltar ao método da bola de cristal ou às aulas de adivinhação da professora Sibila Patricia Trelawney em Hogwarts.  Porém, tem sido a pergunta ultimamente que se ouve em todas as publicações de referência, seja de consumo como de moda. 

Mercado oriental

Já que o mercado da moda representa um quota parte substancial das relações oriente-ocidente e as grandes marcas ocidentais, de luxo ou não, colocaram no mercado oriental muitas das suas expectativas. Do mesmo modo que muitos governos ou mercados financeiros, não nos enganemos. 

Pensemos no mercado oriental, então, o que está a passar com os hábitos dos consumidores, por exemplo, oacréscimo de venda de bens usados via internet, de tal modo, que dados do governo chinês prevêem que as transações de bens usados ​​na China podem chegar a 1 trilhão de yuans (US $ 141 bilhões) este ano. 

Portanto, para além de se restringirem a comprar novos produtos, acresce o sentimento de utilizar o que tem nos seus armários. Surgiram nas redes sociais chinesas o hashtag #ditchyourstuff com mais de 140 milhões de views. Um estudo da McKinsey & Co 

mostrou que entre 20% a 30% dos consumidores serão cautelosos e conscienciosos nas compras, comprando menos, ou, em alguns casos, muito menos. 

Sensação do consumidor em geral

Vários pontos a ter em conta, quando falamos da sensação (que como a palavra indica, algo sensitivo fora das estatísticas mas a que as próprias têm de ter em conta, em momentos como estes): sensação de perigo de vida, sensação de fragilidade humana e da sociedade onde estão inseridos, relatividade aos bens de consumo, hierarquização de necessidades e futuro humano e financeiro incertos. Tudo isto leva a uma fragilização do consumidor como tal. Tendo em conta que, para além de consumidor, é pai, mãe, filho ou filha, namorado ou marido. O consumidor vai querer adquirir bens de consumo essenciais tanto agora como nos próximos tempos, vai ser mais exigente com os bens que já possui, as vendas em segunda mão serão uma saída para quem tem o armário cheio e a selectividade será a palavra de ordem. 

Desafios

No meio de tanta ansiedade e incertitude, como as marcas devem comunicar com estes consumidores:

  • com clareza de discurso
  • estando do lado do consumidor
  • mostrando que têm oportunidades únicas de compras (especialmente para os clientes habituais, estreitando a relação), embora sem abusar nos descontos
  • propor parcerias que ajudem instituições de combate ao vírus

Não esquecendo que a moda e beleza podem ser reconfortantes, divertidas e um meio de escape. As marcas podem reforçar essa ideia sem solicitar vendas. Quando os consumidores estiverem prontos para a terapia de compra novamente, eles saberão para onde ir.

Lembremo-nos do que é a moda, é sobre alegria, ela precisa trazer alegria. Fazer com que os consumidores se sintam melhor mas com consciência apurada do mundo e dos seus recursos. 

P.S.

Portugal nos últimos tempos, os indicadores de consumo da SIBS mostram uma verdadeira queda em consumo de bens de moda e acessórios até Abril passado. Em si quer dizer pouco, em quarentena não podíamos sair e consumir. Esperemos pelos próximos meses para ver as opções dos portugueses. Porém, nem online compraram estes bens.