Moda masculina na ModaLisboa Awake

Moda masculina na ModaLisboa Awake

Uma realidade humana em constante mutação nos últimos tempos, como tantas outras, devido às novas aptidões de comunicação e de apresentação do mundo. Desafios que saltam aos modelos estabelecidos obrigando a uma re-leitura do que pensávamos ser a comunicação da moda. Aqui a moda masculina também é uma faceta em busca de novos meios de transmissão, de novos caminhos. Sendo incontornável que o público masculino é diferente do feminino.

Mas, aqui queremos fazer um balanço da moda masculina nesta edição da ModaLisboa. Sempre mais reduzida que a moda feminina, aqui como em todo o mundo, mostrou-se com muita qualidade. Numa evolução de conceitos e de confecção. Propostas diversas que percorrem um país que não sabe arrojar e tem receio. Melhor, os homens portugueses são receosos, imagem da mentalidade do próprio povo. Reflectida nas marcas, nos gestores, nos comunicadores e no público comprador.

Temos de louvar o arrojo de Filipe Cerejo que faz uma apresentação inteira masculina, numa plataforma de começo como o Sangue novo (já o tinha feito na edição anterior), sabendo que o consumo da moda masculina em Portugal ainda é residual.

Gostávamos de apontar os coordenados da marca Duarte, num estilo muito streetwear marcadamente influenciado pela neve e seus desportos. A coleção lança um repto por cinco espécies animais dos Himalaias em vias de extinção. Utilizando materiais vários como algodão Reciclado, Lã Virgem, Pele Ovino, Tecidos Técnicos Waterproof.

Algumas peças que não passaram despercebidas aos nossos olhares, como os “casacos” e “sobretudos” da coleção Kolovrat, em materiais tecnológicos. Como ela própria afirma “a roupa desportiva incorpora detalhes da alfaiataria” que percebemos nos casos acima assinalados.

A novidade trazida por uma coleção “out” mas refrescante da marca Ninamounah da Holanda. Que se apresentou como uma desfiguração da tradição artesanal.

E, por fim, a coleção sempre desafiante de Nuno Gama. Com um extremo cuidado nos acabamentos, confecção e óptimos materiais. Mas, será tema a aprofundar num futuro post.

Num computo geral, observámos o esforço hercúleo da moda portuguesa de dar ao homem motivos para arrojar e mudar. Embora o hábito não faça o monge, temos de começar por algum lado. Dar motivos ao homem luso e ao mercado, as marcas e a todas e todos que são “players” nesta questão para mudar. Pois, de facto, necessitam de acordar para a nova realidade que nos desafia. “E que nem só de vírus vive uma sociedade”.

Podem ver um resumo das propostas aqui.

Photos ModaLisboa by Ugo Camera

1º dia, Sexta-feira, dia 6 de Março

2º dia, Sábado, dia 7 de Março

3º dia, Domingo, 8 de Março