Acerca das saias e outras questões “políticas”

Acerca das saias e outras questões “políticas”. Muito se tem falado sobre as saias de um senhor assessor que apareceu na tomada de posse da nova composição da assembleia da república, resultante da últimas legistativas. Muitas e muitos perguntaram a opinião do The Gentleman.pt, embora, honestamente seja um não assunto.

Existem vários pontos de reflexão e não para juízo sobre o uso ou não uso de saias num homem. O primeiro seria algo que perguntamos sempre a quem nos pede aconselhamento sobre o que vestir num evento ou numa cerimónia. “O que costuma vestir?” “Como se sente bem e confortável?”, e a partir destas informações aconselhamos o que vestir e melhorar a imagem. Para nós, fica a curiosidade intelectual sobre se será o seu traje habitual.

Outro ponto para reflexão sobre a indumentária é a questão do protocolo numa cerimónia importante na casa da democracia de Portugal. Existe protocolo ou será que cada um usa o que lhe apetecer? Ou serão regras de marketing e “fait divers” que nos hão-de reger nas altas câmaras da nação?

Outro ponto de reflexão é pensar que existem peças de vestuário para homem ou mulher. Hoje em dia, muitos designers misturam acessórios ou formatos masculinos com femininos. Pensar nos escândalos decorrentes da introdução de elementos masculinos no design feminino por Mary Quant ou Yves Saint Laurent. Ainda no V&A, em Londres, podemos ver esta contribuição da primeira designer referida. Qualquer referência ao passado e ao regional, seja às túnicas medievais ou aos kilts, é superficial.

Mais que “fait divers”, precisamos de genuinidade nos actos e nas posições políticas. Aqui, assumimos a palavra política como a acção da mulher e do homem na sociedade e na “pólis”. Precisamos que tudo seja genuíno pensando que estes valores têm de contribuir para a construção da democracia. A qual também necessita de protocolo e etiqueta.