A memória histórica da Baixa Lisboeta

A memória histórica da Baixa Lisboeta, bem resguardada neste novo hotel do centro histórico. Um fresco pombalino do século XIX domina o lobby, chamando a atenção. A peça foi retirada do salão nobre do primeiro andar de um dos três edifícios que resultaram no hotel, para que todos a pudessem contemplar. Há outros elementos que sublinham esse respeito pela história, como os tabiques preservados e que ganharam nova vida nos elevadores ou na parede da lareira, os arcos em pedra, as frentes das gavetas proveniente de uma loja de correeiros, os tectos dos quartos ou os três mil azulejos que são a alma das zonas de passagem para os quartos.

Como em toda a Baixa, o comércio tradicional teve uma época áurea. A Discoteca Festival, a ourivesaria Dragão de Prata, o cabeleireiro Londres, foram perdendo clientela à medida que assistiram à desertificação. O hotel, onde antes se achavam estas casas, quis prestar-lhes tributo e fazer da sua história uma herança e uma memória viva. Manteve-se a sinaléticas e os anúncios na sala comum e, nas paredes, pequenas placas contam a história. Ficaram também mais de uma centena de discos de vinil, que junto ao gira-discos, convidam os hóspedes a escolher a banda sonora para a sua estadia. A lareira e a biblioteca, com livros de autores que serviram de inspiração à decoração, completam o ambiente.

O Hotel da Baixa, com quatro estrelas, conta 66 quartos, divididos por seis categorias: 8 clássicos vista cidade, 23 clássicos interiores, 7 clássicos júnior, 19 deluxe, 9 premium, dos quais 11 resultam em quartos familiares quando combinados.

Cinco personagens históricas deram o mote para a decoração de cada piso: Dona Maria II (1819-1853), no primeiro, o mobiliário neoclássico e o retrato d’ A Educadora, cognome com que ficou na História aquela que foi Rainha de Portugal por duas vezes, num dos períodos mais conturbados da História do País; Gil Vicente (1465-1536), no segundo, mais austeros reportando à Idade Média, como um cenário à medida do pai do teatro português; Marquês de Pombal (1699-1782), no terceiro, as linhas geométricas e o papel de parede alusivo à “gaiola pombalina”, a construção antissísmica que implementou após o terramoto de 1755; Pardal Monteiro (1897-1957), no quarto piso, de influência art déco, a fazer a vénia ao primeiro modernista português, com desenhos dos seus projectos, dos poucos que não destruiu; e Eça de Queirós (1845-1900), no quinto, com o ambiente intimista e a secretária em pele a convidar à leitura.

Em cada quarto, o sistema GuestU é o concierge perfeito para cada hóspede. O smart phone disponibiliza dados ilimitados e 30 minutos de chamadas diárias, nacionais ou internacionais, e propõe diferentes rotas desenhadas de acordo com as influências e a obra de cada uma das personagens escolhidas.

No restaurante Do Azeite servem-se todas as refeições. A carta foi desenvolvida tendo por base o mais português dos ingredientes e, da entrada às sobremesas, todos os pratos têm um fio de azeite a fazer a ligação. Esta é uma parceria entre o Hotel da baixa e o grupo Di Casa, que correspondeu com entusiasmo ao desafio, e a Sovena, que instalou também a primeira loja dedicada em exclusivo ao azeite, a O’Live by Oliveira da Serra, no espaço contiguo, com entrada pelo número 237, da Rua da Prata.

HOTEL DA BAIXA Rua da Prata, 231, Lisboa Tel. 210 127 450

www.hoteldabaixa.com