O Pai Natal nunca está. Mas existe.

O Pai Natal nunca está. Mas existe. Neste teatro, sim. Pelo menos é o que quer provar o seu corpo inteiro de ator em palco. Até ao fim do espetáculo, está em dívida para com quem já pagou bilhete e o vê. E é mesmo ele, o Pai Natal. O verdadeiro. A quem devemos todos os presentes e que se perdeu do Polo Norte e de si próprio.

Vem agora explicar-se e oferecer-se. Assistimos à suprema dádiva. Uma grande mentira é contada de um espaço cénico para uma plateia. E faz acontecer o impossível. O Pai Natal. A sua aparição perante uma audiência adulta e com certeza descrente, mas constrangida a crer por estar diante de um palco. Enfim, nada que não aconteça em muitas casas na noite de 24 de dezembro, quando alguém mascarado de Pai Natal aparece de fugida a largar presentes junto à árvore. Mas no teatro o Pai Natal entra pelos olhos e pelos ouvidos adentro de quem se senta na plateia. E então, sim, revela-se a verdade impressionante.

Após estreia no NEGÓCIO, a segunda encenação de Tiago Barbosa vai estar em cena na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II.

O trabalho de Tiago Barbosa, assente na prática do ator, distingue-se por generosidade e despojamento. A capacidade de gerar e manipular estados de emoção inquietantes coloca-nos perante a experiência teatral na sua essência. Olá, eu sou o Pai Natal parte de um retrato individual – que nos comove através da partilha de angústias e preocupações privadas – para alcançar uma reflexão sobre questões mais globais, como a dádiva e a economia na sociedade, e o comércio em jogo no ato performativo.

3 – 6 jan

quinta e sexta, 21h30 > sáb, 19h30 > dom, 16h30

Sala Estúdio

texto, encenação e interpretação Tiago Barbosa

luz e som Gonçalo Alegria

figurino Carlota Lagido

assistência pontual Nuno Gil

produção ZDB

residências Companhia Olga Roriz, Les Bains, O Rumo do Fumo, ZDB/NEGÓCIO