Dilema hodierno – ser ou parecer elegante?

Dilema hodierno – ser ou parecer elegante? Sim, hoje em dia, por vários factores que passaremos a descrever, perdemos o norte sobre a questão da elegância humana. De facto, falar de elegância passa por vários vectores que não somente a beleza física nem mesmo a juventude ou os traços fisionómicos que realçam um(a) modelo numa sessão fotográfica.

Ou se aceitamos que a elegância passa por outros factores que não somente a beleza ou juventude, devemos estabelecer os seus parâmetros. Embora, estejamos num tempo que abomina os parâmetros e quer a espontaneidade como regra da veracidade, mais uns parâmetros nos ajudam a não ter limites exteriores mas interiores.

A elegância requer maturidade, educação e um sentido de humanidade que se vão adquirindo com o evoluir do tempo e da nossa própria história pessoal. Sinónimo de cordialidade de trato, de saber estar em sociedade, educação e fineza nos gestos. Sensibilidade para com as fraquezas do próximo e capacidade de diálogo mesmo que não seja agradável.

A confusão entre o ser e parecer elegante começou por vários factores, sejam sociológicos como tecnológicos. O aparecimento das marcas de fast fashion que permitem a compra de muitos acessórios e peças leva a que muitas pessoas mostrem-se com vários looks e assim dar uma aparência de elegância. Veremos que a fast fashion pode ser um dano para o ambiente e para o conceito de compra/consumidor. Portanto, multiplicam-se os possíveis pretendentes à elegância nas nossas ruas e nas redes sociais.

O outro factor que nos ajudou a confundir ser e parecer, foi o aparecimento das redes sociais e a consequente “importância” como comunicação de uma elegância masculina ou feminina. Muitas delas sem apoio de texto tornam-se repositórios de imagens sem conteúdo nem contexto. Observando à ascensão de chamados influencers, quando sobem pelo seu próprio pé, ou assunção de outros. Multiplicam-se e copiam-se estilos mas sem o apoio de uma “real life” onde a elegãncia verdadeiramente se apoia.

Esta reflexão que partilhamos convosco, tem alguma repercussão na vida real? Sim, tem! Porque muitos e muitas perguntam o que é elegância. E, afirmam, que vêem muitos e muitas a quem seguir nas redes sociais e de quem aprender. Por isso, desejamos ajudar a perceber que a elegância não se aprende somente por imagens ou por ensinamentos mas vive-se na realidade, espelhada ou não nas redes sociais. Senão entramos na lógica da “beleza de aviário” por criação ou cópia. Podemos saber que itens “estão mais na moda” ou são “tendência”. Mas, no final, nada disso é o essencial da elegância de vida.