Uma taberna japonesa em Lisboa

Um verdadeiro segredo, uma taberna japonesa em Lisboa. Como os melhores segredos, o Izakaya Tokkuri fica numa travessa, a meio da escadaria, escondido entre a vizinhança. A lanterna vermelha (akachochin) pendurada à porta indica que esta é uma taberna japonesa. Não espere um local espaçoso de design moderno, o Izakaya Tokkuri quer recriar o ambiente genuíno, logo, quer-se apertado e barulhento, como são todas as tabernas, com um balcão corrido onde desfilam os pratos e três salas privadas com almofadas e mesas baixas para se sentar como manda a tradição. As duas mesas na esplanada tiram partido do clima ameno de Lisboa.

Antigamente apenas os homens frequentavam estes espaços para beber saké, daí que tenham surgido os petiscos para acompanhar a bebida. Só na última década as mulheres e os jovens se atreveram nestes locais que voltaram a estar na moda e se multiplicaram por todo o mundo entre um público heterogéneo, quer nas classes sociais, quer nas gerações.

A ementa está afixada na parede, escrita num quadro de ardósia para ser actualizada à medida da criatividade do chef Eder Haruno Santos, 35 anos, natural de São Paulo. Já se sabe que a maior comunidade de japoneses no exterior está na cidade paulista, no Brasil, mas nem foi isso que inspirou Eder, aos 18 anos, a preparar uma mochila e seguir viagem até ao Japão. Não tinha especial interesse na gastronomia, foi à aventura. Durante 15 anos percorreu todo o país, descobriu as diferentes cozinhas e aí começou a trabalhar, desde lavar pratos nos restaurantes, descascar legumes, até aprender os segredos com os mestres e chegar a chef. Acabou por casar por lá, até que há dois anos decidiu voltar ao Brasil para apresentar a mulher e os filhos à família. Abriu o seu restaurante, hoje às mãos da mulher, e ele aceitou o desafio de ficar à frente da cozinha do Izakaya Tokkuri, em Lisboa.

“Gosto de criar novos pratos com os produtos do dia”, diz. Por isso, a ementa está sempre a mudar. Alguns pratos que saem da cozinha do Izakaya Tokkuri: espetadas (yakitori), gyosas (ravioli de porco ou camarão), tako dashi tamago (omelete com polvo), sunomono (salada fresca de pepino), kimpira (legumes salteados), ceviche (peixe marinado em limão), yakiniky (carne de vaca fatiada), nama harumaki (rolo de folha de arroz com salmão e legumes), kara age (frango frito), age cheese (tempura de queijo), aguedashi tofu (tofu frito), miso chiro (caldo de soja) ou ramen (sopa com noodles, vegetais, ovo, barriga de porco).

De toda a experiência gastronómica que fomos fazer temos a realçar o ramen que tem uma óptima relação preço-qualidade e é uma refeição muito completa. Dos petiscos, o frango frito e a tempura são os pontos a destacar e a propor.

Chachu Ramen – Ramen de porco

“O que distingue os izakayas são os molhos, que aqui são todos confeccionados na casa”, explica o chef Eder Haruno Santos.

A acompanhar a refeição, nos izakayas bebe-se saké ou cerveja, a melhor combinação com os sabores apimentados e salgados que caracterizam os petiscos. Esse é um dos pontos fortes da carta, uma panóplia de sakés, mais secos, frutados, encorpados ou leves. Um tasting custa 15€. Os tokkuri (pequenas garrafas de cerâmica) de 20 cl podem variar entre os 7€ e os 22€.

À entrada, o Izakaya Tokkuri conta com um espaço da Garrafeira Imperial – do mesmo proprietário, Vítor Hipólito, que tem também em Lisboa o Tapas 52 (Rua D. Pedro V, 52), o Tapas 47 onde se inclui a Garrafeira Imperial (Rua do Alecrim, 47) e o Amazónico (Rua do Alecrim, 23) –, onde os clientes podem comprar vinho para levar. O consumo no local implica uma taxa de rolha.

Aberto de terça-feira a domingo, entre as 17h00 e as 02h00, o Izakaya Tokkuri tem 21 lugares ao balcão, três salas privadas para sete pessoas cada, e conta ainda com oito lugares na esplanada. O preço médio da refeição é 20€ (sem bebidas).

Morada:

Travessa dos Fiéis de Deus, 28, Bairro Alto, Lisboa – Tel. 213 461 500