E, os homens, nesta edição da ModaLisboa?

E, os homens, na ModaLisboa? nesta edição tiveram bastantes propostas para o próximo inverno, e por isso, não se podem queixar. Do sangue novo, passando por Luis Carvalho, Kolovrat, Dino Alves, Ricardo Andrez, Valentim Quaresma e AWAYTOMARS.

Para nós, os homens tiveram dois momentos imperdíveis nesta 50ª edição, nos desfiles de Patrick de Pádua e Nuno Gama. Duas colecções muito masculinas e vincadas no universo dos bons materiais e das linhas simples.

O desfile de Nuno Gama voltou a ser uma “liturgia” de celebração do estilo masculino, dos bons materiais como caxemira e um reconhecimento da alma lusa em todas as suas expressões culturais. Como sempre, encontra inspiração no que é Portugal. Podemos ler no seu comunicado da colecção:

“Sempre focados na excelência do corte e no respeito pela nobreza dos materiais que falam a mesma língua que nos assentam que nem uma luva, apoderam-se, desde logo, da nossa pele até à raiz da nossa alma, tocados pela terna cultura Lusitana. O casaco continua a ser o menino que embala os nossos sonhos desde criança e voltámos a Miranda do Douro onde tínhamos deixado à nossa espera a promessa da reinterpretação das Capas de Honra”.

De facto, a inclusão destes materiais e a exigência do corte de alfaiate nas colecções Nuno Gama, fazem da marca um ponto incontornável na menswear portuguesa. A marca apresenta sempre soluções práticas e possíveis ao homem comum e do quotidiano. As suas “liturgias” são esperadas nas várias edições da ModaLisboa. Nesta edição, até com toques de humor, com inclusão de imagens em algumas peças de seda impermeabilizada.

Patrick de Pádua, desde o seu primeiro sangue novo, habituou-nos a um outra “liturgia” dedicada ao homem, ao passado militar das linhas do menswear como um vislumbre donde nasceram as raízes dos cortes e modas masculinas. Neste desfile, incluindo algumas figuras femininas, não deixa de aparecer esta referência ao mundo dos uniformes militarizados.

Esta colecção de inverno aposta em materiais vários como a bombazine, pêlo, couro, malhas, nylon, neoprene e lãs. Com o nome de “LET ME BREATHE” é uma “colecção mais pessoal, introspectiva que busca referências a um imaginário colectivo dos anos 70, com ênfase nas cores vibrantes, padrões e uma silhueta mais oversized. Tendo sempre em mente um look mais descontraído, a colecção desdobra-se ainda para peças mais clássicas como os blazers ou os sobretudos”.

Uma colecção que marca a diferença ao homem português tanto pela ousadia dos materiais mas também pela continuidade e estabilidade que dão os arquétipos militares. Os cortes, os fatos, as parkas mostram a segurança destas memórias.