Os segredos de Saville row

Indeed, Saville row is a paradise for elegant men. For gentlemen. Nestes dias que muito se fala de moda masculina com as tendências saídas da Pitti Uomo ou dos desfiles de Milão, quero recordar a viagem a Londres. Muito especialmente a rara ocasião que tive de puder visitar dois ateliers londrinos.

A graça que tive para falar com dois alfaiates que estão a trabalhar nessa rua de encanto e elegância. Uma rua onde as grandes casas e mestres em alfaiataria residem. Muitos de nós poderemos reconhecer do filme “Kingsman”, o local e o alfaiate Huntsman & Son.

Pude conversar com Lee Marsh, alfaiate e designer, com marca própria e na Stowers (Saville row) sobre a sua experiência e o percurso até chegar a uma marca própria. Nas suas palavras, “menswear começou a despontar tanto no Reino Unido como no resto e desbravar terreno, pois womenswear durante muito tempo era a moda (Fashion)” e a moda masculina tem muito de bespoke, não só fatos ou formalwear, o feito à medido pode estar no streetwear ou casualwear. A sua própria marca tem muito disso, não só formalwear mas também casualwear. Devemos pensar num todo, podemos pensar num bomber jacket em material de fato. Podemos pensar num guarda-roupa todo bespoke. Ele começou em 1997 com a marca Thom Browne, com uma herança jamaicana onde em todas as famílias havia alguém que fazia roupa à medida, no caso a avó com quem aprendeu o gosto. Como Londres, Lee é um cruzamento entre várias culturas.

Também com David Airoll, possuidor de uma marca própria e trabalhando no atelier da Huntsman&Son, a célebre loja de alfaiataria. Com ele pude ver o atelier e as eternas tendências dessa casa ilustre. Ele está responsável, como se de uma linha de montagem se tratasse, das calças dos pedidos e dos clientes. Tudo tem um responsável ou um(a) aprendiz na arte de alinhavar, cozinhar ou mesmo, no final verificar cada peça e depois despachar.

Em cima na loja, estão os head cutters, responsáveis, como o nome indicado, pela arte precisa do corte das peças para serem utilizadas no atelier. Com moldes de cada cliente, fazem as suas delicias. Uma casa destas possui tendências? de certo modo, sim.  Porém, falamos do estilo gentleman adaptado a cada pessoa, a cada época sem faltar o ambiente necessário. A casa tem sempre um tweed próprio, fabricado para uso exclusivo que muda de 2 em  2 anos. Embora exista um padrão que ficou ano após ano, um tweed rosa, e com isto podemos nos espantar com a audácia.

David Airoll confidenciava que tudo tem haver com o desejo do cliente, da pessoa que vem encomendar o fato, o smoking, a casaca ou um blazer desportivo. Tudo nasce daí e depois o trabalho é ir caminhando segundo os materiais e o corpo. Tal como com Lee, David tem uma tradição familiar não inglesa, o que nos mostra que as tradições britânicas do bespoke começam a envolver-se com outras culturas. Ganhando ambas com esta convivência e “evolução”.

Destes dias percebi o ambiente multi-cultural da cidade e também destas grandes casas de alfaiataria, observando como esta é uma arte tal como a escultura ou a música. E, se quisermos, só uma tendência, o universo de um Gentleman.