A fina arte de preparar uma mesa

Ontem, num ambiente de requinte, fomos conhecer a dupla de designers criadores da JFC – Heritage Designers.

Num almoço de mesas excelentemente decoradas tornando a experiência gastronômica numa fantasia de detalhes, fálamos com Jean-François Le Dû – francês, há mais de trinta e seis anos um dos protagonistas incontornáveis do exigente universo da criação de eventos de alta gama e da decoração de mesas, tanto em Paris como no resto do mundo – e Carlos Pimenta Machado – bem português, com o seu prestigiado background de hotelaria de luxo vivido na Ásia.

Juntos, partilham a paixão pela arte de bem receber, na mais pura tradição francesa.

A “art de table” ou “art de la table” é um conjunto de “artes” que permitem a “convivialité” de uma forma meticulosa. Cada mesa é pensada para um tempo de civilidade e prazer.

Nas suas criações, a mesa conta sempre uma história. Inspirados por cenários idílicos – seja em Viena, na Sala do Trono de Hofburg – em Roma, num dos míticos estúdios utilizados por Fellini que, quais décors antigos romanos de 4 metros de altura, recrearam como um deslumbrante jardim sobre a via Appia – ou noutros espaços também deslumbrantes por este mundo fora, Jean-François e Carlos erguem conceitos decorativos criados de raiz para, num jeito absolutamente único mas sem ostentação, proporcionarem ambientes propícios a um convívio acolhedor.

Os objectos decorativos de luxo utilizados estão sempre associados à produção manual de artesãos europeus -parceiros de excepção nas suas criações -, inspirada nos grandes ourives dos séculos passados. Sejam em cristal, prata, coral ou outros materiais nobres, estes elementos constituem, na sua forma e execução, um modo de perpetuar História e tradições, ao mesmo tempo que aportam excelência pela utilidade das suas aplicações, pensadas para se adaptarem às necessidades de hoje.

No seu já extenso portfólio de memórias, que vem criando deste o seu nascimento, em 1992, a JFC Heritage Designers recorda diversos momentos únicos passados um pouco por todo o mundo. É o caso, por exemplo, da celebração de um aniversário de um aristocrata europeu, grande colecionador de arte contemporânea, para o qual organizaram, na sala do trono do Palácio Tsarsköie Selo ou Palais de Catherine, um jantar para 200 convidados, criando um décor ultra-moderno com centros de mesa desenhados especificamente para a ocasião, numa atmosfera branca envolta em cristal, evocando a entrada de um « Doutor Jivago », quando, lá fora, os jardins se revestiam de neve.

Ou em Pequim, 2007, quando foram chamados a projetar o ambiente para um jantar sentado de 800 pessoas para assinalar a abertura do primeiro museu privado de arte contemporânea da China. Tudo se passou num salão industrial de 2000m2 , que recriaram como sala de jantar, com mesas que mudavam de cor durante o jantar, cadeiras Stark, centros de mesa, louça e acessórios criados especialmente para a ocasião.

Ou mesmo a decoração para um dos maiores casamentos da estação, em 2009 – dois dias em Paris, 4 dias em Veneza. No primeiro espaço, um hotel particular familiar situado sobre os Champs Elysées, um cocktail para 1400 convidados da política, finança e arte, seguido de um jantar para 350 convidados evocando uma sala de jantar de 1930. Toalhas de mesa de linho bordadas à mão, centros de mesa de flores brancas.

Em Veneza, oito horas depois, um convite a 70 convidados íntimos para um fim de semana de quatro dias exigiu a preparação de um jantar no Palazzo Barbarigo Malipiero, onde reconstituiram um autêntico cenário de baile veneziano, com toalhas forradas de tule vermelho bordado com pérolas e lantejoulas, centros de mesa de frutos encabeçados por um bouquet de plumas de avestruz.