Cozinha Portuguesa. E agora?

A 5ª edição do Sangue na Guelra arranca com o III Simpósio Sangue na Guelra, que este ano regressa às origens para se focar na identidade e coesão da gastronomia portuguesa.
Vivemos um período emocionante da cozinha nacional. Décadas de consolidação do receituário tradicional, de aposta na formação de jovens cozinheiros, de criatividade, arrojo e inovação, trouxeram-nos a este ponto da história em que a gastronomia portuguesa é reconhecida, premiada e elogiada, aquém e além-fronteiras. Convidamos, por isso, chefs, produtores, cientistas, jornalistas, pensadores, consumidores, empresários, gastrónomos e toda a comunidade a unir-se, para pensar a cozinha que fazemos — e consumimos — e os caminhos que queremos trilhar juntos no futuro.
Neste espírito, foi lançado a cozinheiros portugueses de referência um desafio inédito: trabalhar em conjunto alguns temas essenciais da nossa cozinha.
Ao longo dos últimos meses, Henrique Sá Pessoa, José Avillez, Alexandre Silva, João Rodrigues, Milton Anes, Kiko Martins, Hugo Nascimento, Pedro Pena Bastos, Tiago Bonito, Luís Barradas, Leandro Carreira, Hugo Brito, Manuel Maldonado, Tiago Feio, Rodrigo Castelo, David Jesus e Carlos Fernandes partilharam experiências, dúvidas, saberes e inquietações que vão, agora, dividir connosco.
Mas também importa perceber o enquadramento da nossa cozinha num mundo global. Assim, directamente de Londres, recebemos a visita do carismático chef lisboeta que tornou a gastronomia portuguesa um caso de sucesso britânico. Nuno Mendes regressa a casa para reflectir sobre a sua bem-sucedida carreira internacional e o impacto da nova gastronomia portuguesa no contexto internacional.
Também o incontornável jornalista e curador gastronómico Andrea Petrini, um dos nomes mais respeitados e influentes da cena gastronómica mundial, vai marcar presença e trazer à discussão a experiência de quem viveu de perto a afirmação da cozinha nórdica, basca ou peruana no mundo.
Um painel de luxo, que não ficaria completo sem Maria de Lourdes Modesto, autora de livros de referência da cozinha tradicional e mentora de várias gerações de gastrónomos portugueses que se junta à conversa para debater com o crítico gastronómico e diretor do Peixe em Lisboa, Duarte Calvão, o papel da tradição culinária na senda da modernidade.
E agora?
Agora, é chegado o momento de estabelecer as bases de um movimento colectivo que defina os princípios da nossa cozinha e proteja os produtos e produtores, as técnicas, os profissionais e o saber fazer que lhe conferem solidez e identidade, garantindo que este conhecimento não é privilégio de alguns mas um direito de todos.
Agora estabelece-se a discussão num grupo de pessoas profundamente ligadas à gastronomia portuguesa que, em conjunto, delineou os seus princípios básicos. Foi chamado Manifesto para a Cozinha Portuguesa 0.0. Vamos conhecer e ler no no III Simpósio Sangue na Guelra.
A partir das 9.30h, no dia 5 de Maio, no HUB Criativo do Beato. A entrada (com almoço buffet incluído) custa 30€ e pode ser adquirida aqui.