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São cinco as grandes quintas da Real Companhia Velha (RCV) – produtora de vinhos do Douro e Porto com mais de 260 anos de história –, cada uma detentora de características, história e perfis muito próprios. Se o título de “Quinta de Imagem do Alto Douro Vinhateiro” assenta como uma luva à Quinta das Carvalhas; a Quinta dos Acipreses é considerada o “Arquétipo da Viticultura de Montanha” e a Quinta de Cidrô o “Expoente de Viticultura Moderna”. A Quinta do Casal da Granja é o “Santuário dos Colheitas Tardias” e é à Quinta do Síbio que se atribui o estatuto de “Museu Vivo no Douro Património da Humanidade”.

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É precisamente da Quinta do Síbio, que passa a ser uma marca da gama da Real Companhia Velha, que provêm as uvas que “dão fruta” aos novos néctares da Companhia. No total são quatro vinhos: ‘Quinta do Síbio Field Blend branco’ (2015), ‘Quinta do Síbio Ananico branco’ (2015), ‘Quinta do Síbio Samarrinho branco’ (2015) e o ‘Síbio tinto’ (2014), este último em edição numerada e, a partir da colheita de 2016, certificado como biológico.

Situada em pleno vale do Roncão – famoso pela excelência dos seus vinhos –, a Quinta do Síbio é uma das mais antigas e tradicionais propriedades da Real Companhia Velha. Se já esteve confinada a 40 hectares, dos quais 10 de vinha, nos dias de hoje estende-se até ao planalto de Alijó, com uma área total de 130 e 100 de vinha.

A original Quinta do Síbio conta com uma história rica e que remonta, segundo alguns historiadores, ao período da delimitação da Região Demarcada do Douro, tendo a propriedade permanecido nas mãos da mesma família até 1934, ano em que foi adquirida pela Real Companhia Velha. ´

Com a vinha plantada em socalcos, suportados por muros tradicionais de xisto, é uma das propriedades que melhor ilustra a história duriense no que respeita à cultura e tradição, sendo possuidora de um enorme potencial vitivinícola e de uma magnífica paisagem sobre o rio Douro. 

Em 1999 iniciou-se um ambicioso programa de investimento, com a recuperação dos bicentenários muros – que lhe dão alma e que em muito contribuíram para a afirmação do Douro como Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, em 2001 – e a plantação de novas vinhas, em talhões estremes e seguindo a orientação das castas referenciadas no antigo cadastro da quinta na Casa do Douro. Plantaram-se as nobres Touriga Nacional e Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Amarela e as pouco cultivadas Sousão e Tinta Francisca.

Mais recentemente, esta Quinta foi alvo de uma anexação de 90 hectares de vinha – no planalto de Alijó e anterior pertença da Quinta do Casal da Granja, onde está instalado o (único) centro de vinificação da empresa. Esta vinha é palco de um dos mais inovadores projectos da região, onde a RCV recupera antigas castas do Douro, algumas delas em risco de extinção: Códega, Esgana Cão (aka Sercial), Pêro de Bode, Samarrinho, Síria e Touriga Branca, nas brancas; e Cornifesto, Bastardo e Touriga Fêmea, nas tintas.