Cultura no Algarve

Férias são tempo de cultura também, não só tempo de lazer e diversão especialmente na zona do Algarve. É tempo de aproveitar para carregar as baterias da mente e do espírito. Por isso é de louvar que a cultura acompanhe os fluxos migratórios das férias.

Depois de em 2010 ter apresentado a exposição “Negreiros e Guaranis”, no Palácio da Fonte da Pipa, em Loulé, José de Guimarães volta ao Algarve com parte da sua colecção de arte africana e ainda algumas das suas obras mais emblemáticas. Uma exposição que ficará patente no Museu Municipal de Faro de 29 de julho a 11 de setembro.

O Museu, situado no antigo Convento da Nossa Senhora da Assunção, é o novo palco da exposição “Esconjurações”, que no início de 2016 esteve patente na Galeria Millennium, em Lisboa. Esta mostra única reúne um significativo núcleo de obras de José de Guimarães pertencentes à colecção Millennium bcp, realizadas em suportes muito distintos, nomeadamente um raro e surpreendente conjunto de tapeçarias de Portalegre de grandes dimensões.

Divididas entre a capela do antigo Convento e a sala Allgarve, serão ainda expostas obras de luz, com néon e LED, de vários períodos do percurso do autor; caixas-relicário que dialogam com peças da colecção de arte africana de José de Guimarães e ainda esculturas de grandes dimensões que dão corpo ao perturbante sincretismo prosseguido, desde os anos 1960, pelo artista.

Enquadrada no espírito do conjunto de relicários de José de Guimarães que vão ser mostrados ao público, a estatueta africana ‘nkisi nkondi’ surge como a grande novidade desta exposição em Faro. Um dos expoentes máximos do acervo do Museu, desde 1917, esta é uma peça de fetiche, de grande valor artístico, trazida de África por João dos Santos Viegas, que a terá recolhido na fronteira do Congo com Angola e Zaire.

Nkisi nkondi - Credito_ Claudia Vargues 7

O poder mágico que ‘nkisi nkondi’ incorpora reside na forma como a figura estabelece uma mediação entre o mundo dos vivos e dos mortos, atraindo para si os espíritos maus, esconjurando-os e guardando-os no seu interior, como uma força que passa a possuir. Mostrada em exposições desde meados dos anos 80 até recentemente, em alguns dos museus mais relevantes de Portugal e da Europa, trata-se de uma peça de grande raridade em razão da sua qualidade escultórica e etnográfica.

Esta exposição expande e cimenta a relação de colaboração entre o Museu, o Município de Faro e a Fundação Millennium bcp, entidade que apoia a recuperação da sala do Mosaico Romano da colecção do Museu – que será em breve classificado como Património Cultural nacional – e a criação do prémio de poesia António Ramos Rosa.