Um espelho da boa gastronomia à beira-rio

Depois de vários anos sem entrar no espaço, fomos visitar o multi-facetado Espelho d’Água em Belém; muitas recordações desde T-Club até às últimas experiências menos bem conseguidas nestes tempos mais próximos.

Agora, encontramos um espaço com amplitude de alma e e que nos permite uma fruição mais “limpa” da beira-rio. Com cores suaves e mobiliário discreto, centramo-nos no convívio e na gastronomia.

O Espaço Espelho d´Água (EEA), localizado no meio de um grande espelho de água, foi construído em 1940, durante a Exposição do Mundo Português.

A partir do interior do edifício consegue-se ter a sensação de estar a flutuar no Rio Tejo, o que foi preponderante na hora de decidir fazer um grande investimento na requalificação e restauro do edifício. Com uma localização privilegiada, nas margens do Tejo, em Belém, o EEA oferece aos visitantes uma experiência sensorial única tanto pelo design de interiores como pela vista ímpar para o rio e para a encosta do Restelo e da Ajuda.

Para além destes factores, o espaço tem uma forte componente artística: a calçada portuguesa da entrada, construída a partir de uma obra de Yonamine, a pintura mural de Sol Lewitt – que foi “descoberta” e restaurada durante as obras de requalificação do edifício -, os seis carrinhos de hotel pintados por Pedro Campelo, assim como as casas de banho públicas decoradas com azulejos tradicionais desenhados pelo Estúdio Pedrita. Tudo isto num local banhado pela luz de Lisboa e do Tejo através das amplas janelas do edifício.

Na escola estudam-se as relações políticas e comerciais que se estabeleceram com as viagens dos portugueses pelo mundo, mas, paralelamente foram efectuadas trocas naturais de conhecimento, experiências, ritmos, ingredientes, sabores e formas de fazer que permitiram uma grande evolução aos vários povos.

Aberto desde 2014, o Espaço Espelho d’Água quer ser uma embaixada para essas trocas. Foi de Belém que os portugueses partiram rumo a outras paragens e, portanto, ele incorpora esse ponto de encontro, onde se evidencia o reflexo dessas viagens através da gastronomia, da arte e da música.

Esta multidisciplinaridade e ecletismo está presente em estado físico através das várias salas/valências/momentos que o EEA possui: galeria, sala de espetáculos, loja, esplanada, cafetaria, restaurante, bar e quartos para residências artísticas.

A nossa experiência foi no restaurante, onde os copos cristalinos deixam transparecer a majestosa obra de Sol Lewitt, a carta é mais simples, mais pequena, mas igualmente eclética.

Nas entradas encontramos Ceviche de bacalhau ao coco, coentro e limão, abóbora, batata doce e maçaroca de milho, Beterrabas assadas, saladinha, queijo de cabra, maçã verde, abacate e pistachios ou um Caldo de milho verde e espinafre.

Nos pratos principais Moqueca de peixe e camarão e aborinha com talharim de fubá de milho, o suculento Ravióli de abóbora, perfume de laranja e especiarias com guisado de bochecha de porco ou Frango de leite ao tempero baiano, xerém de milho e banana e agriãozinho d’água.

A nossa escolha foi para pratos que não “ofendessem” a dieta em que estamos e escolhemos:

◦Salada morna de vegetais grelhados, com pasta de grão ao cominho e paprica com queijo parmesão

◦Atum (mi-cuit) grelhado na crosta de sesamo, vegetais ao molho oriental – que vemos na foto.

Não podemos falar ou escrever sobre as sobremesas ou a carta de vinhos porque ainda estamos na fase em que é proibido tais coisas, mas tendo em conta os pratos devem ser de espanto.

Um espelho da nossa gastronomia e da nossa hospitalidade à beira-rio que recomendamos!