“From Sweden With Love”

É um SUV, é nórdico, é um Volvo XC90… e é a maior prova de amor que a Suécia deu ao mundo desde os ABBA. Não são só as linhas redondas, atraentes e sensuais, que nos fazem pensar que, se calhar, nem há assim tanto mal em ser um pouco mais rechonchudo mas, principalmente, a conjugação do carro como um todo. Não deixaram nada ao acaso. Passando pelos pormenores estéticos, aos dinâmicos, ao cuidado de construção e ao motor, nada, mas mesmo nada, ficou ao acaso. Só falta vir às peças para nós o montarmos – ao jeito do bem sucedido conceito IKEA – para ser o carro perfeito. Mas isto é para os mais entusiastas, porque os que compram um carro pelo prazer de, apenas, o conduzir e aproveitar, vão ter no XC90 um deleite.

A versão que ensaiei foi a D5 AWD. Um motor 4 cilindros turbo com 2 litros de cilindrada e tracção às quatro rodas. É um mimo! Tem modos de condução, que vão do off-road – onde o computador controla a tracção, a caixa e a potência, de forma a garantir o melhor resultado em terreno duvidoso – ao dynamic que rebaixa o carro uns bons centímetros, enrijece a suspensão e melhora a resposta geral para uma condução mais desportiva, passando pelo confort que, pessoalmente, só o usei quando o carro estava desligado.

Se, há 50 anos, nos deram uma loira e uma morena que cantavam tão bem quanto eram belas e dois senhores multi-instrumentalistas que inventavam melodias à velocidade com que lhes crescia o cabelo, desta vez deram-nos um carro que tem tudo isso mas, agora, sem calças à boca de sino. Tanto que até tem uma especificação no sistema de som Bowers & Wilkins (um mimo!) que simula a sala de concertos de Gotemburgo. A conduzir este XC90, pode vestir o que quiser porque pouca gente vai reparar em si. Sugiro que faça o teste. Conduza em tronco nu e verá que vai parecer ridículo porque depois de olharem para o carro vão querer, invariavelmente, saber quem o conduz e se aparecer sem camisa vai ser muito estranho. Por isso, vista uma camisa, uma daquelas que lhe dá um gosto particular em vestir, e faça-se à estrada. Mas aproveite-a bem. Tanto a citadina como a off-road. Porque este Volvo é mesmo para isso! Para aproveitar cada centímetro do pavimento, seja ele alcatroado ou terra batida. E, se quiser pisar um pouco mais o acelerador, força!

Os 225 cavalos de potência ficam disponíveis de forma regular mas o que mais impressiona é o binário que tem. Um motor bastante pequeno em comparação com os mais de 2500 quilos de peso, mas que produz quase 500 Nm disponíveis a partir das 1750 rotações. Tudo isto força o condutor a sorrir porque não é suposto um carro com tanto peso e tamanho, onde o condutor está a mais de 50 centímetros do chão, ser tão divertido de conduzir.

Agora, se não se importam, vou ali para o carro ouvir o resto do álbum. Acho que fiquei na “Fernando”. Um bem haja!