Agenda Cultural 05.02.2015

A perna esquerda de Tchaikovski (ensaio)_©Bruno Simão_A PERNA ESQUERDA DE TCHAIKOVSKI

Dança

Autoria, encenação e figurinos: Tiago Rodrigues; Interpretação: Barbora Hruskova; Música e piano: Mário Laginha

A convite da Companhia Nacional de Bailado, Tiago Rodrigues escreve e dirige uma peça em torno da memória do corpo de Barbora Hruskova, bailarina principal da CNB que se retirou no passado ano. Em diálogo com o piano de Mário Laginha, que está em palco para interpretar a música original que compôs para este espetáculo, Hruskova revisita a sua carreira e as marcas que essa vida na dança traçou no seu corpo.

A particularidade está na sua própria história de vida, quer pessoal, quer artística. A proposta passou por criar um espetáculo para uma bailarina em fim de carreira, cabendo a Tiago Rodrigues e a Mário Laginha a tradução para o palco desse instante. O momento em que o corpo que, durante anos obedeceu às ordens e desejos da bailarina, passa a assumir o controlo da sua própria vontade e decide abandonar a dança.

O processo implicou muitas horas de entrevista entre Tiago Rodrigues e Barbora Hruskova, nas quais partilhou com o autor a sua vida desde os primeiros espetáculos da infância até ao último em 2014. Uma espécie de viagem aos cerca de 30 anos como bailarina. Juntos, viram vídeos de coreografias que ela interpretou, analisaram a sua forma de estar na vida e na dança, as suas rotinas, as suas lesões, os seus sucessos e tudo o que de relevante a marcou. Os bons e os maus momentos.

Este é um espetáculo também sobre a memória, a memória de um corpo, partindo do pressuposto de que a memória é, ela própria, uma construção do tempo. A coreografia deste espetáculo é o resultado de um revisitar das suas experiências coreográficas, dos ensaios, das rotinas diárias, do prazer e da dor.

Teatro Camões

5, 6, 7, 12, 13 e 14 de Fev, às 21h

15 e 18 de Fev, às 16h Preço: 5€ a 25€

A cidade Olga RorizRETROSPECTIVA OLGA RORIZ

A CIDADE

Dança

Direcção: Olga Roriz; Interpretação: Maria Cerveira, São Castro, Bruno Alexandre e Bruno Alves

No ano em que Olga Roriz comemora 60 anos de idade, 40 anos de carreira como coreógrafa e 20 anos da sua Companhia, somos presenteados com uma retrospectiva do seu trabalho um pouco por todo o país.

O arranque das comemorações inicia-se no São Luiz este fim-de-semana com a peça “A Cidade”, a qual evidencia a corrosão que as cidades provocam nos seus habitantes e transeuntes.

São Luiz Teatro Municipal

6 e 7 de Fev, às 21h

Preço: 12€ a 15€

CONVERSA

A retrospectiva em curso passa também por um debate entre o jornalista e crítico de arte João Carneiro e o professor e ensaísta Daniel Tércio, ambos conhecedores do universo e do percurso da coreógrafa e bailarina Olga Roriz.

A moderação fica estará a cargo de Aida Tavares, directora artística Teatro São Luiz.

São Luiz Teatro Municipal

Jardim de Inverno

7 de Fev, às 18h30

Entrada livre

[Na agenda da próxima semana daremos conta dos próximos eventos da programação do São Luiz Teatro Municipal no âmbito da retrospectiva]

O-Som-e-a-FúriaO SOM E A FÚRIA

Teatro

Teatromosca. A partir de William Faulkner.

Encenação: Pedro Alves; Interpretação: Ruben Chama, Filipe Araújo e João Cabral

Segundo espetáculo de uma trilogia que o teatromosca dedica à literatura americana (em 2013 apresentou Moby Dick de Herman Melville e em 2015 será a vez de Meridiano de Sangue de Cormac McCarthy).

A partir do romance homónimo de William Faulkner, “O Som e a Fúria” desfia, através de Benjy (Ruben Chama), Quentin (Filipe Araújo) e Jason (João Cabral), a ruína da família Compson, antigos aristocratas do sul dos Estados Unidos. Cada um deles centra a sua narração na relação (verdadeira ou imaginada) com Caddy, a única filha da família. E é esta viagem pela verdade de cada um dos irmãos, isolados, presos no passado, que nos dá conta da desintegração da família e da sua reputação.

O desafio de trazer à cena este romance passa por trabalhar um texto em que a história não evolui de forma tradicional, em que parece não haver futuro e o presente é sempre um acontecimento passado. E é precisamente esta noção de Tempo que Pedro Alves explora nesta passagem para teatro do romance de William Faulkner.

Teatro Meridional

4 a 7 de Fev, às 21h30