Yves Saint Laurent – Uma história de amor

yves_saint_laurentYves Saint Laurent” de Jalil Lespert

Com: Pierre Niney, Guillaume Gallienne, Charlotte Le Bom, Nikolai Kinski

2014 – França

Ante-estreia no MUDE (5 de Junho de 2014)

O filme “Yves Saint Laurent” de Jalil Lespert talvez seja um dos mais aguardados do ano para os fãs do designer em particular, e amantes da moda em geral (ainda este ano, estreará um outro dedicado ao mesmo universo, “Saint Laurent”, realizado por Bertrand Bonello). Caso para dizer que Yves Saint Laurent está na moda!

“Yves Saint Laurent” conta com Pirre Niney no papel do célebre designer e com Guillaume Gallienne como Pierre Bergé, o empresário e o seu companheiro de vida que o ajudou a fundar a marca YSL. Em traços gerais, o filme conta a vida do designer francês entre 1956, ano em que assumiu a direcção criativa da Maison Dior (com apenas 21 anos), e o derradeiro ano de 2008, ano da sua morte.

Atrás de um Yves Saint Laurent, há sempre um Pierre Bergé

O filme é, acima de tudo, uma história de amor, dando permanentemente enfoque ao envolvimento com Pierre Bergé, companheiro que ficou ao seu lado por mais de 50 anos e que foi o principal responsável pelo sucesso da marca.

De forma cronológica, vamos assistindo à evolução dos anos, das transformações da moda, bem como do percurso problemático do criador e do seu envolvimento com álcool e drogas. As traições, de ambas as partes, não são poupadas aos olhos do espectador. Analogamente, é-nos dado a conhecer o seu carácter depressivo e extremamente impulsivo (o designer era maníaco-depressivo) e a sua timidez paralisante. Teremos retratado um Saint Laurent com o estilo que esperamos que um artista deve ter? Talvez. Mas se há coisa que o filme não faz, é sacralizar o designer, e esse louvor deve ser dado a Lespert.

Em todos os momentos, Pierre Bergé acompanhou e apoiou o génio, sendo quase um cliché em filmes românticos, ou seja: só o amor consegue vencer certos obstáculos. No entanto, e apesar de o filme ser apresentado na perspectiva de Pierre Bergé, dá também a conhecer algumas das suas infâmias (traições) e ataques (“és um parasita” grita-lhe Yves Saint Laurent a dada altura).

“Desconfiem dos tímidos, são eles que governam o mundo”

A moda não assume, no entanto, um papel preponderante no filme. Desenganem-se aqueles quem pensam poder assistir em detalhe ao processo criativo de Saint Laurent. Ainda assim, são dados a ver alguns desenhos e muitas das roupas do criador, como a característica colecção baseada nas obras de Mondrian, que assume destaque no filme, bem como a sua reinvenção do smoking feminino que já causara escândalo nos anos 30 com Marlène Dietrich. Yves Saint Laurent protagoniza uma revolução na moda bem ao tom da emancipação feminina.

Como curiosidade, refira-se que todas as cenas de desfile foram gravadas com o acervo original do designer, guardado a sete chaves (consta que a equipa não podia sequer tocar nas roupas), e muitas das cenas foram gravadas no próprio atelier de Yves Saint Laurent.

O actor escolhido para interpretar o designer faz dá conta do recado. Niney tem gestos nervosos e uma voz suave, quase infantil, com um desempenho que cresce de cena para cena, tenho ainda a seu favor enormes semelhanças físicas com o designer.

Além de Christian Dior, outras figuras do universo da moda surgem como conhecidos e amigos de Yves, como Victoire Doutreleau (Charlotte Le Bon), Loulou de la Falaise (Laura Smet), Karl Lagerfeld (Nikolai Kinski) e Andy Warhol.

A lição mais importante do filme? Talvez que o amor seja imprescindível para vencer. Não necessariamente amar uma outra pessoa, mas também a si próprio, a profissão ou a vida.

Rui Manuel de Sousa

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