“The Eye Has to Travel” – Modalisboa 40ª edição

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No âmbito da 40.ª edição da ModaLisboa, abre-se ao público da capital a possibilidade de seguir através do cinema a vida e a obra de uma referência maior da História da Moda: a poderosa, provocadora e ultra-talentosa Diana Vreeland, uma mulher que soube marcar o seu tempo.
As sessões são abertas ao público (no limite dos lugares disponíveis) e vão decorrer no auditório do Museu do Design e da Moda (MUDE), na Rua Augusta 24, nos dias 8, 9 e 10 de março. Inaugura sexta-feira às 19h00, com a repetição no sábado e domingo às 18h00.

“The Eye Has to Travel” (2011) é um documentário realizado por Lisa Immordino Vreeland, Bent-Jorgen Permutt e Frederic Tcheng.

Diana Vreeland (1903-1989) nasceu em Paris, filha de uma americana e de um escocês, e até ao eclodir da I Guerra Mundial viveu na Europa uma vida de sonho.  No mundo editorial, Diana Vreeland trabalhou 25 anos como editora da Harper’s Bazaar (de 1937 a 1962), depois como editora da Vogue (de 1962 a 1971) e inventou-se como a voz autorizada da moda quando não havia na moda autoridade alguma que se lhe comparasse. A mulher que detestava o narcisismo mas aprovava a vaidade e que defendia que “não se tem de nascer bonita para se ser incrivelmente atraente” viveu num sumptuoso apartamento em Park Avenue com as paredes pintadas de vermelho e transformou-se num ícone de Nova Iorque graças ao arrojo iconoclasta das suas opiniões e à sua visão predestinada do papel das mulheres na sociedade. Dizia de Coco Chanel, por exemplo, que “as suas primeiras clientes foram princesas e duquesas e ela vestia-as como se fossem secretárias e dactilógrafas”.

Diana Vreeland foi a primeira pessoa da indústria a compreender que o lugar da moda era em todo lado. Foi assim que iniciou a sua colaboração com o Metropolitan Museum, que passou a ser a sede dos desfiles anuais dos maiores criadores norte-americanos e europeus, facto que atraiu a atenção dos media de um modo exponencial, garantindo ao museu milhares de visitantes e transformando-o no centro mundial de uma nova arte: a moda. Diana Vreeland foi a primeira e a incomparável autoridade mundial da indústria da moda. Sobre o que vestir e sobre dietas deixou-nos pérolas como estas: “as blue jeans são a coisa mais maravilhosa desde a invenção da gôndola” e “a alface pode ser divina mas não tenho a certeza de que seja para comer”.