Ritmos africanos em Lisboa

Os ritmos africanos já fizeram anunciar a sua invasão ao Campo Pequeno, com toda a sua intensidade e calor, a 14 de abril, prometendo fazer dançar toda a gente. Bonga, Selma Uamusse, DJ Marfox e Batida serão as estrelas de uma noite que começa às 21h30.
Bonga, um dos mais aclamados músicos angolanos, é o cabeça de cartaz deste espetáculo e dividirá o palco com alguns dos novos talentos da música eletrónica de inspiração africana. O artista que conta com 46 anos de carreira, 32 álbuns editados, múltiplos discos de platina em Portugal, vários hits mundiais como “Mariquinha” e “Ngana Ngonga”, e que foi o primeiro músico africano a atuar a solo dois dias consecutivos no Coliseu dos Recreios, compromete-se a fazer desta noite uma das mais épicas de Lisboa.
Além disso, Bonga foi o precursor do reconhecimento internacional e da valorização da música africana quando há mais de 40 anos, e à semelhança de Cesária Évora e Amália Rodrigues, esgotou grandes salas mundiais, como o Olympia de Paris, em França, ou a Apolo, em Nova Iorque.
Mas as surpresas desta noite eletrizante e que se prolongará pela madrugada fora não se ficam por aí. Selma Uamusse, DJ Marfox e Batida são os jovens artistas que estão a revolucionar os estilos afrobeat, kuduro e world music, e, por sua vez, a chamar a atenção da imprensa internacional especializada.
Com raízes moçambicanas, Selma é considera, pelos críticos, uma das maiores promessas da música africana. Integrou o grupo Wraygun, já colaborou com Rodrigo Leão e está agora a estabelecer-se a solo. A somar ao seu currículo musical está também o facto de ter sido uma das quatro vozes convidadas por Moullinex (juntamente com Ana Bacalhau) para o projeto de homenagem às Doce – que teve o seu momento apoteótico no final do Festival da Canção 2018 e que continuará ao longo do ano.
Por sua vez, Batida, nome de código de Pedro Coquenão, artista nascido em Angola mas criado nos subúrbios de Lisboa, “marca um ponto de viragem na cena Afro Electrónica”, segundo a revista Songlines. Depois de já se ter apresentado em centenas de palcos, pelo mundo, eleito em alguns deles como um dos melhores (NOS Alive, Womex e globalFEST), traz ao Campo Pequeno um act, ao qual deu o nome de The Almost Perfect DJ, já apresentado no Festival Iminente em Oeiras e Londres, no Festival Eurosonic na Holanda, na sala principal da Casa da Musica, e mais recentemente no Centro de Artes da NYU em Abu Dhabi.
Para além dos dois LPs em nome próprio, co-produziu o álbum dos congoleses Konono Nº1, que, curiosamente, também contou com a voz quente de Selma Uamusse. Foi ainda o autor e apresentador do programa, do qual retirou o seu nome artístico, durante mais de dez anos na Antena 3, sendo um dos principais divulgadores da nova música eletrónica africana em Portugal.
O fecho desta noite está a cargo do DJ Marfox, que já nos habituou à sua mistura explosiva influenciada pelos ritmos africanos do kuduro, kizomba, funaná e tarraxinha. Nascido em Portugal mas com raízes em São Tomé e Príncipe, é uma autêntica lenda urbana, suburbana e do gueto lisboeta.
O seu único LP até à data, “Revolução 2005-2008”, foi editado pela NOS Discos, em 2015. No ano seguinte lançou o seu mais recente e aclamado disco “Chapa Quente”, que foi nomeado para Disco do Ano nos Prémios Time Out.
Existe apenas uma impossibilidade nesta noite: ficar imóvel. O futuro da música africana passa pelo Campo Pequeno já no dia 14 de abril.
Uma produção UAU que reúne no mesmo palco vozes marcantes que inspiram a expressão de cultura únicas, com um diálogo que se faz íntimo e inquieto. Esta é a primeira edição do Africa Dance e conta com o apoio da RTP África, Antena 3 e RDP África.