Entrevista exclusiva a Pedro Carvalho

Um actor conhecido das nossas casas e com experiência na arte de representar, Pedro Carvalho foi para o Brasil desafiado por novos objectivos de vida e profissionais. A fazer uma telenovela de dimensões históricas, o Gentleman’s Journal aproveitou uma oportunidade de tempo para perguntar e saber como está a ser esta etapa de vida. É bom ouvir exemplos de portugueses que saem do seu país e vivem felizes.

– Trabalhar no Brasil está a ser uma oportunidade de vida, como se costuma dizer?

.: A experiência tem sido maravilhosa, estou muito Feliz, mas com o sentido de responsabilidade ainda mais apurado de dar todos os dias o meu melhor, a minha máxima entrega, verdade e paixão ao personagem que estou a interpretar e de não poder falhar, uma vez que serei o protagonista desta trama. Estou a gravar em formato de cinema uma mega produção de época da Record em parceria com uma das maiores produtoras de cinema e publicidade do Brasil, a CasaBlanca. Trata-se da prequela da tão aclamada e conhecida historia ‘Escrava Isaura’. De nome ‘Escrava Mãe’ esta é a história que se passa em 1803 que conta o início de tudo, como tudo acontece, o romance de um burguês português, ‘Miguel Sales’ (interpretado por mim) e de ‘Juliana’, uma escrava, cujo romance tão controverso e perseguido da época, dará fruto a Isaura, a escrava que já todos conhecemos.

Está a acontecer algo inédito aqui no Brasil que é as audiências da novela da noite de horário prime-time ‘Os Dez Mandamentos’, da Record, estão à frente da novela ‘A Regra do Jogo’ do mesmo horário da Globo. A minha novela vai substituir essa, portanto a fasquia está ainda mais elevada, estamos a falar de um país que é o ‘Rei das Novelas’ e com cerca de 230 milhões de habitantes e de uma emissora que neste momento está em primeiro lugar nas audiências da ficção. Estou a adorar o Projecto. E só quando comecei a gravar é que me dei realmente conta da ‘grandeza’ desta mega produção de época onde nada é deixado ao acaso! Existe uma grande preparação que nos é dada a nós actores, não só a nível de coaching mas também de aulas de equitação, esgrima, seminários de história, capoeira, etc… e no meu caso, aulas de fonoaudiologia para atenuar um pouco o sotaque português de Portugal, uma vez que aqui não é tão familiar como nos é o brasileiro. Fui muito bem recebido por todos os meus colegas de elenco e equipa, direcção artística e direcção da Record. Estou a dar todo o meu empenho e paixão a este ‘Miguel’ de ‘Escrava Mãe’ e espero apaixonar o público brasileiro. É sem dúvida o personagem e o projecto mais desafiante, incrível e emocionante que fiz até hoje.

Posso dizer que fiz amigos para a vida, acho que isto diz muito do carinho e amizade que tenho recebido dentro e fora de cena.

Já conhecia alguns dos actores com quem contraceno, mas somente da TV, a partir das novelas brasileiras que assistia em Portugal, como a Zézé Mota, o Jayme Periard, a Neuza Borges, a Luíza Tomé, o Roger Gobeth, Milena Toscano, entre outros, e é de facto espectacular poder dividir agora cena com eles, aprender com eles.

Gravo muitas horas, de segunda a sábado, mas nos tempos livres tento conhecer um pouco São Paulo, onde estou a viver. É uma cidade que adoro, é muito cosmopolita, tudo acontece aqui e é uma cidade que não dorme! Muito ao género de NY. Tem muitos museus, jardins, livrarias, que gosto sempre de visitar.

É mais que uma oportunidade de Vida!

– Como foi a habituação a um clima, país e modos de vida diferentes?

.A habituação foi muito fácil, já me sinto completamente ‘em casa’. O Brasil recebeu-me de braços abertos e eu a ‘ele’. Identifico-me muito com este nosso País irmão, com o samba no pé e estas gentes sempre tão simpáticas e carinhosas no trato. Não poderia ter sido melhor recebido por toda a equipa directiva da Record e CasaBlanca, elenco, directores, equipa. São a minha segunda família neste momento!

Por enquanto, por conta de estar a gravar todos os dias muitas cenas, só tenho viajado para os locais no interior de São Paulo, as cidades do interior, onde gravo, tenho conhecido lugares lindíssimos, Fazendas, cachoeiras, natureza no seu estado mais selvagem, etc… Ainda não tive tempo para conhecer mais, mas no fim do projecto adoraria conhecer Noronha, Bahia e explorar melhor o Rio de Janeiro.

Identifico-me e gosto de muitas coisas aqui, é difícil enumerar em poucas palavras, mas o facto de sermos países irmãos, que falam a mesma língua; a gastronomia fabulosa, as gentes simpáticas e amáveis e o facto de a ‘novela’ ser quase encarada como um elemento cultural que reune as pessoas a uma mesma mesa. Até as estações de autocarro têm monitores onde estão a toda a hora a passar várias novelas e seriados da Record e da Globo, que são as principais e maiores emissoras do Brasil.

– Já tinhas feito uma produção de época? Um estilo que faz conhecer mais o argumento e a historia por trás do mesmo?

Nunca tinha feito nenhuma produção de época, ‘Escrava Mãe’ é a primeira.

É uma novela que se passa em 1803.

Os principais desafios são a forma de falar, os costumes da época, os interesses sociais e perceber a conjuntura política de escravatura onde se estava inserido. As posturas, as vestes… Tudo isto é desafiante e compõe cada personagem.

E todo este processo tem sido muito bem sustentado por uma preparação muito intensa que nos tem sido dada pela Record e Casa Blanca, entre os quais seminários de história, onde nos explicaram a situação político-social da época, afim de nos conseguirmos situar de forma mais precisa no tempo, na história e nos comportamentos e posturas, linguagem de personagem.

Os figurinos que nós usamos são da mesma empresa que faz os figurinos da Guerra dos Tronos. Os cenários são tão incríveis que parecem reais e com tudo isto é muito fácil recuar no tempo e sentir-mo-nos completamente envolvidos pela época e conjuntura sócio-política da época, a escravatura, que caracteriza esta trama.

– O que se aprende no Brasil?

Como ser humano, tem sido um crescimento muito grande para mim, já que é a primeira vez que estou 1 ano longe de casa, família e amigos, com um projecto de uma dimensão avassaladora em mãos, num país imenso e que não conhecia até então. E como profissional, penso que servirá para um grande crescimento enquanto Actor, visto que este personagem é de tamanha complexidade dramática, tem bastantes conflitos interiores, inserido numa novela de época caracterizada por um clima hostil de escravatura.

Mas como já referi, tudo tem sido tão positivo e estou a gostar tanto deste País e destas gentes, que não demorou para me sentir completamente em casa. Confesso que também tive muita Sorte com as pessoas (colegas de elenco, equipa, direcção) que se cruzaram nesta minha aventura. Estou muito Feliz.